11.12.09

céu
pairava
sem pensar
não tardara, todavia,
de maduro cair no mundo
lá e cá: a sizígia temporal:

da
árvore

23.10.09

Embarcação

acordei pela batida do coração,
sonho de leite, abacate, açúcar.
E descobertos, vi no chão
os raios caídos de luz.
A batida inteira, sensação
de que era noite e a lua,
da tua alma a impressão,
em minha visão translúcida
Do amor, a embarcação..
de porto incerto a vida
tempestades, indefinição
vi a felicidade da tua chegada!

13.10.09

Pronome Possessivo

Minha boca seca
pede teu beijo..

Minha alma sufoca
sem teu cheiro

Minha: o pronome
que te desejo.

(12/10/09)

Setembro

Tua presença na minha vida é como um sol
que brilha pelas frestas do pensamento
e me enche de contentamento..

(27/09/09)

18.4.09

Irlanda

pois..

por aqui a vida segue seu curso..
uma cidade cruzada por um rio de aguas escuras e geladas..

por ventos cinzas de agua e congelantes..

um mundo aquecido pelos coracoes e alma irlandeses,.

que parecem com uma brasa..

me toca nesse pais a feminilidade, heroinas e mitos,

a maneira maternal da sociedade

e a graca da arte, musica, sempre nostalgica e apaixonada.

em uma semana vou estar no Brasil,

feliz por voltar e reencontrar a galera do bem

e triste por me despedir do mundo que criei aqui.

A vida segue seu curso..

27.3.09

River Liffey

com a saudade que empacotei em lágrimas, enchi o rio.. e sobre o rio ainda deslizo.. sou vinho seco, amargo.. chocolate, madeira de barco, úmida.. sou cortiça.. absorvo de volta, gota por gota..mas.. onde estão os beijos que joguei na água?

26.3.09

Hill Street

Algumas noites sao mais longas
E o tic-tac do relogio
lembra o bater de dentes dos ratos..
Roem.. corroem velhas fotografias..
No sotao da minha alma,
Oracao de menino implora
O primeiro sorriso do ceu,
Nos bracos de um cansado sol,
A luz do dia.

18.3.09

Maira, Quando eu te encontrei,
A beira desse riacho,
Tu estavas procurando por ti.

Ao ver o teu reflexo nas aguas,
Mergulhaste.
Teu reflexo imediatamente desapareceu.

E eu hoje, a beira do riacho
Sinto aqui com precisao..
Tu nunca aqui estiveste,
E eu nunca mais te acho...
Mas sei que ainda aqui permanece.

6.3.09

Howth

O Sol acordou cedo,
Com Seu sabor salgado.
Arrastou Seus raios entre doces nuvens.
Escreveu no ceu insipido,
Em massa quente,
O que sentia
Com magestade:
Bom Dia!

29.1.09

Quem, Le

Quem ler,
nao sabe o Que Le

O sorriso mais bonito que ja vi,

Vou encontrar muito bem
quando eu voltar.

6.12.08

Miss Palmerstown

Era dia e ela procurava a lua.
Havia um que de melancolia..
Em plena rua, em casa se sentia.
Desceu o rio que a dissolvia,
Desceu do ceu pra nao ser mais lua.

25.10.08

..tudo que eu queria era que meu destino tocasse o teu, bem de leve, num cruzamento da vida..
instalaria uma placa de Pare no tempo e o trânsito cessaria, nos esquecendo na esquina..
de então seríamos dois pedaços livres de sorriso e pousaríamos nas pétalas dos sonhos, daríamos abraços de brisa e carinhos de cidró.
e rondaríamos a eternidade como névoa, que pisa tão leve que não roça a grama e sonha tão real que não toca o céu

18.10.08

de lugar nada sei.. vejo as impressões que chegam a mim e se dissolvem na panela da retina..
são carnavais de cores, sóis e sombras..
e o que mais toca é a pergunta..:
eu sou aquilo que organiza os molhos e os temperos?

23.9.08

Eu Quero

Ora sou Eu, ora sou Quero.
Calor no sim, o não congela:
Caos no meio.

15.8.08

eu era infeliz e não sabia
e a chuva que me acodia
nem chorava nem ria
era da casa a moradia

eu hoje

eu hoje não sou nem cinza.. sou vento.. e vou pentear as penas da garça ingênua que caminha desajeitada sobre as folhagens úmidas.
Quero colher o último sorriso fresco, antes que a pose pra foto te faça hipócrita.
Hoje não sei sonhar, não sei fingir, não sei nem ser.

A Daniela

A Daniela que vê é a mesma que sente. É margem de rio, mas é corrente..
A Daniela é suave, cortante.. imprevisível, constante..
Ver Daniela é desfocar do objeto.. é ver céu aberto.. Daniela é incomum pelo que vê..
Pra saber Daniela não se pode olhar... ela nunca está.

13.8.08

Pra onde? Pra onde?

Eu sempre quis ir embora pra longe,
Nunca soube por que nem pra onde.
Eu sempre quis ir embora pra longe.

Prum lugar onde o longe fosse perto
E o perto fosse longe.
Eu sempre quis ir embora pra longe.
Pra onde? Pra onde?

Prum lugar onde eu fosse eu
E não um bonde.
Prum lugar onde não fosse trilhos
Nem bonde.

Pra onde? Pra onde?

7.8.08

água, sal e ar.

enquanto eu não me entendo, sou barco à deriva,. se eu não mando em mim, tenho sentidos e razão, mas não me pertencem... tudo é água, sal e ar.

12.7.08

da atenção...

a atenção consciente das pessoas é como uma bola picando........ em dados momentos toca a realidade concreta, por um instante, mas depois se perde no espaço das fantasias e projeções.

sobre as flores...

existe muito mais terra do que flores, mas a beleza das flores é maior que a feiúra de toda a terra

sobre a sociedade...

se um grão de arroz pode ter graça... um saco de arroz é entediante ao extremo

5.7.08

as águas frias fazem um doce carinho gelado nas costas das rochas que indiferentes, seguem sólidas.. sua sensibilidade não permite tremer nem sorrir.. mas o coração da água é todo líquido e em abundante entrega se desenrola. A gravidade é a dádiva, o rio gélido, tocado pelo sol, dá pequenas piruetas no ar e se satisfaz.. a graça do momento, nem saber se será chuva ou será mar..

8.6.08

é amor?

e se é, me consome!
não permita que apague
antes que eu seja cinza.

Em noite de lua cheia
me jogue então no mar
pra que alimente a sereia
que imita o teu cantar.

22.5.08

Maior é a dor do morto-vivo
Que vaga pela treva
De castiçal na mão
E vive do passado,
Dum amor nocivo
Que era doce e nutritivo
E que se fez veneno
E hoje é um castigo
Que dissolve o coração
Gota por gota
E não vê motivo
Nem piedade.

Furando agulha
Dia por dia,
O tempo sádico
Caminha lento,
Simulando eternidade,
Rindo, risos malignos,
E cânticos demoníacos.

Não existe ontem,
Não existe hoje
Pois não há dia
Só há noite,
que não cessa.

Não há pulso,
Nem esperança:
Pedaço de vida
Na lembrança
É espinho
Veneno,
Punição.

Punhal
Ponta
Dor
Tu
.

anoitecer

A chuva batia do lado de dentro
Dissolvendo ossos de açúcar,
Deixando movimentos inertes.
Gosto de café amargo na boca.

A alma fragmentada,
Nos limites da pele...
Sem anestesia, artérias rompidas,
Me esgotava em silêncio.

Uma ponta de esperança,
Como sonho distante,
Numa gôndola veneziana,
Varro, de olhos, a noite...

Deslizando em águas indiferentes
À tua procura, uma vela,
Um vento que empurra
E me apaga.

7.7.07

curtas..

¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?
odiar e amar são, em essência, ato e reato, os dois momentos de um fato

¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?

e, no meio de todas nossas confusões e problemas, nossas dores e perdas, alegrias e ambições.. a realidade segue intocada, nem o mar do tempo, nem o frio do vento, nada abala o seu repouso que, se não for eterno, é quase isso, pois dela, não vejo fim nem começo¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?

eu quando sou triste sou alegre, quando sou alegre sou triste.. as ondas do mar não param quando é noite e dormimos em nossas casas, o movimento das areias continua e os redemoínhos de vento não vistos, tbm aconteceram.....

16.6.07

pedaço de nada

¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?
Longe dos tons de cinza, do
branco e do preto,
além das ondas de tudo o que
se movimente,
embevecido pelo acalanto
misterioso do silêncio
mora o barulho de um mar que
não se sente.
¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?

17.5.07

Há 20 anos...

Compartilho aqui a transcrição de um manuscrito meu que minha mãe encontrou no fundo de uma gaveta.
Ele foi escrito entre 1986 e 1987 e acredito sejam meus primeiros versos.
Eu tinha 7 ou 8 anos de idade :)
Mantive a fidelidade com o manuscrito, sem alterações nem correções:

Na casa velha
morava o vô Celomar
morava a vó Adélia
mas para o edifício eles
se mudaram

É um edifício novo
chamado Arrebol
de lá se enxerga o morro
e o campo de futebol

Se enxerga a cidade inteira
Várias casas
a ladeira
E as lindas pombas com suas grandes
asas

O vô não queria
a vó o convenceu
e no edifício
ele se estabeleceu.

Faz anos que eles moram lá em cima
de lá se enxerga tantos lugares
Se enxerga a vila
E se enxerga tantos lares.

Lares de todos os tipos
grandes e pequenos
de pobres e de ricos
mas isso é o de menos.

Mas o importante
é o apartamento
tão interessante
lá bate tanto vento.

12.5.07

nem ser

em movimento, sou dois..
e ando (por onde?)
parado, sou o não
e sumo (pra onde?)

sou a música que entende tua
arte,
deslocalizada no escrever das
linhas
o som oco na floresta da
morte
o sangue coagulado nas
palavras..

21.2.07

Comentário no blog Paralelo

Calotas polares
de bordas afiadas,
serrilham mares
de águas salgadas..

http://paralelo-pcii.blogspot.com/

30.1.07

o olhar do coração

Era um sonho abstrato..
As cores dançavam,
a ordem se fora..
Findada autoridade
uma liberdade graciosa..

Em movimento aleatório,
as deformas caóticas,
entendimentos contraditórios
na visão da lógica
pulam radiantes no espaço..

Estando os elementos,
é o que basta,
mesmo em fragmentos,
a realidade manifesta,
captada pelo sentimento..

17.1.07

Sentido

Ainda que tivesse sentido,
o toque do limão, espinho,
sem tido tempo de esquivo,
não vi sentido naquilo.